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Por Que Toda Reclamação Evitável é um Sintoma de Auditoria Ineficaz

Auditoria prévia manual gera backlog, inconsistência entre auditores e negativas mal fundamentadas — e isso vira reclamação e processo judicial. Entenda por que decidir melhor e mais rápido é tão importante quanto reduzir glosa

Erika Monteiro

Por Que Toda Reclamação Evitável é um Sintoma de Auditoria Ineficaz

Um dado do setor me chamou atenção recentemente: as reclamações contra operadoras de planos de saúde cresceram mais de 120% entre 2019 e 2023, segundo levantamento com base em dados da ANS. Isso é um sintoma, não apenas um ruído.

Eu vejo esse número todos os dias de um jeito diferente de como ele costuma ser lido. A maioria enxerga reclamações como problemas de atendimento. Eu enxergo como muitos deles na verdade são problemas de auditoria.

Porque, na prática, boa parte das queixas que chegam à ANS e ao Judiciário não nasce de um atendimento desqualificado, nasce de uma negativa de cobertura mal fundamentada, de um pedido de autorização que ficou parado por dias sem resposta clara, ou de um procedimento negado sem que o beneficiário entendesse por quê. Tudo isso é do campo da auditoria. É o processo que decide, antes de qualquer coisa, se aquele paciente vai ser atendido a tempo ou vai virar mais um número de estatística de insatisfação.

O Que é Auditoria Prévia, Afinal?

Auditoria prévia é a análise de um procedimento, exame ou internação antes de sua realização, para verificar adequação clínica, cobertura contratual e conformidade com as diretrizes da operadora. Diferente da auditoria retrospectiva, que revisa contas de procedimentos já realizados, ela atua no momento da solicitação antes que o custo, ou o conflito, aconteça.

O fluxo tradicional passa por três etapas: o prestador solicita o procedimento; um time de auditoria analisa a solicitação com base em protocolos clínicos e regras da ANS; e a operadora decide se autoriza, nega ou pede complementação de informações. Quando isso é feito manualmente, cada uma dessas etapas vira um ponto de atrito. E é exatamente nesse atrito que nasce boa parte das reclamações que citei acima.

O Erro de Tratar Auditoria Só Como Redução de Custo

Quando falamos de auditoria prévia no mercado, a conversa quase sempre vai direto para glosa evitada e sinistralidade controlada. E sim, isso importa bastante. Mas eu insisto que essa é só metade da história.

A outra metade é pouco aparente na planilha de gestão financeira, mas ela aparece em processo judicial, em reclamação formal na ANS, em avaliação negativa nas redes, em beneficiário que perde a confiança na operadora antes mesmo de precisar de fato do plano. Cada resposta genérica, cada prazo estourado, cada critério que muda de auditor para auditor é combustível para um passivo que não está no balanço, mas que corrói reputação e, no fim, também vira custo em honorários, em indenizações, em churn.

Auditoria prévia apropriada e eficaz não é só sobre gastar menos. É sobre decidir melhor, mais rápido, e de um jeito que o beneficiário — e o Judiciário, quando o caso chega até lá — consigam entender.

Por Que a Auditoria Manual Não Escala Mais

O volume de solicitações cresce mês a mês, mas as equipes de auditoria não crescem na mesma proporção. O resultado é um cenário que qualquer operadora reconhece:

  • Backlog de solicitações aguardando análise humana

  • Inconsistência de critérios entre auditores diferentes

  • Dificuldade de rastrear o motivo real das negativas

  • Glosas evitáveis por falhas de conferência manual

  • Fraudes que passam despercebidas em análises apressadas

Cada um desses pontos, isoladamente, parece operacional. Juntos, eles formam exatamente o terreno onde reclamação e judicialização crescem.

O Que Muda Quando a Decisão é Rápida e Consistente

Quando a análise de uma solicitação leva dias e depende do critério individual, dois problemas nascem ao mesmo tempo: o operacional, que é a demora em si, e o de confiança, que é a sensação de que a demora somente protela uma arbitrariedade.

A inteligência artificial aplicada à auditoria prévia ataca as duas frentes juntas. Ela cruza diretrizes clínicas, histórico do beneficiário e regras contratuais em segundos, fazendo isso no mesmo padrão, inúmeras vezes. Isso não elimina negativas legítimas, mas elimina a variação de critério que costuma ser o estopim da judicialização. Uma negativa bem fundamentada e comunicada com clareza tem muito menos chance de virar processo do que uma negativa genérica entregue com atraso.

E tem um efeito colateral que eu considero o mais valioso de todos: o auditor humano deixa de gastar energia em análises repetitivas e passa a se dedicar aos casos complexos que realmente exigem julgamento clínico. É aí que a auditoria amplia o cuidado, não só controla dados.

Auditoria Prévia é Sinônimo de Negar Mais?

Não, e esse é um dos mal-entendidos que eu mais escuto. O objetivo da auditoria prévia bem estruturada não é aumentar negativas, e sim garantir que cada decisão seja tomada com critérios claros e rastreáveis. Isso reduz tanto a autorização indevida quanto negativa incorreta, os dois lados do mesmo problema, que advém da falta de padronização.

O Que Eu Diria a Quem Ainda Trata Isso Como Prioridade Secundária

Se a sua operadora ainda mede o sucesso da auditoria só pelo valor de glosa recuperada, sua mensuração está incompleta. Comece a medir também tempo de resposta, taxa de reclamação por procedimento negado e volume de casos que escalam para o Judiciário. Esses números contam uma história que a glosa sozinha não consegue.

Prevenção financeira e prevenção de conflito não são objetivos concorrentes. Na auditoria prévia bem estruturada, eles caminham juntos e é isso que separa uma operadora que apaga incêndio de uma que constrói confiança.

Sobre a Carefy

A Carefy é uma plataforma de auditoria com IA que combate fraudes e desperdícios nos sinistros de operadoras de saúde. Com bilhões de reais em sinistros processados e mais de 8 milhões de vidas sob gestão, a empresa atende operadoras em todo o país, como Hapvida, Porto Seguro Saúde e diversas Unimeds.

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